Publicada em: 22/05/2020

As lições do coronavírus ao mercado de trabalho

O momento que estamos vivendo é histórico, triste e de grandes mudanças estruturais e culturais.

 

Nesse artigo abordarei apenas as questões profissionais e as mudanças que nos serão impostas, nesse momento, pelo coronavírus. Especificamente, esse texto é direcionado a empresas prestadoras de serviços e profissionais autônomos ou liberais, no entanto, a abordagem tecnológica abrange qualquer segmento e, em momento oportuno, também falaremos das pequenas indústrias e comércios, em geral.

 

Faz algum tempo que os profissionais da área de tecnologia estão falando e orientando as empresas no sentido de promover mudanças, além da necessidade de se investir em tecnologia, como uma questão de estratégia e de sobrevivência.

 

Infelizmente, muitos empreendedores não dão a devida importância, ignoram sinais claros e tendências de mercado, no entanto, situações como a que estamos vivendo agora, escancaram uma realidade dura, cruel, mas que poderia ter impactos menos negativos, ao menos em termos de mercado de trabalho, se alguns paradigmas já tivessem sido superados.

 

O home office é um desses paradigmas, senão um tabu, mas que precisa começar a ser tratado de forma mais atenciosa. Essa modalidade de trabalho surgiu por volta do ano de 1997, portanto, já há 23 anos.

 

Como quase todas as tendências mundiais, ela surgiu primeiramente nos Estados Unidos, onde está ganhando espaço. No entanto, em outros lugares, em especial nos países ainda em desenvolvimento, onde impera uma mentalidade ainda retrógrada, para dizer o mínimo, em relação a adoção de novas metodologias de trabalho, essa prática ainda não é vista com bons olhos, senão com desdém, além de ser interpretada como sinônimo de vagabundagem por parte dos funcionários, que querem ficar em casa.

 

Essa mentalidade atrasada é um dos empecilhos que agora nos vemos forçados a mudar.

 

Com o avanço do coronavírus pelo mundo e com as medidas adotadas para contê-lo, de uma hora para outra, sem qualquer tipo de preparo ou intimidade, milhares de trabalhadores foram colocados para trabalhar em home office, pois foi a única alternativa para evitar o colapso completo do mercado de trabalho.

 

Ao meu ponto de vista, foi a decisão possível, certamente a única possível, mas não acredito que o resultado será positivo e isso me causa mais receio, pois diante de um resultado potencialmente negativo, minha preocupação é que a classe empresarial resolva enterrar de vez uma ideia que será o futuro do mercado de trabalho.

 

Eu acredito que os profissionais que hoje estão trabalhando em home office, como sempre o fazem, darão o seu melhor para entregar bons resultados, no entanto, a grande maioria caiu num terreno desconhecido: novas rotinas, novas tecnologias, novos sistemas, nova metodologia e, junto a tudo isso, um terror psicológico muito grande, tanto pelo medo do contágio, quanto pelo medo e incerteza quanto ao próprio mercado de trabalho, que certamente mergulhará numa crise gigantesca.

 

São muitos fatores para serem trabalhados ao mesmo tempo, são muitas incertezas e muitas pressões e muitas novidades, que podem produzir um resultado muito abaixo do desejado e esperado.

 

Trabalhar em home office exige, como qualquer coisa nessa vida, preparo e disciplina. A disciplina, por natureza, muitos já podem possuir, mas o preparo não foi ofertado, apenas empurrado por força da situação.

 

Por outro lado, nada como situações extremas para nos tirar da zona de conforto e nos fazer repensar a vida. Que possamos tirar lições de tudo isso e uma delas, sem dúvida, deve ser a de começar a repensar nossa dinâmica profissional.

 

A tecnologia é uma ferramenta ainda muito pouco explorada no mercado profissional. As grandes empresas, naturalmente, já perceberam os benefícios de utilizá-la, no entanto, as micro e pequenas empresas, que diga-se de passagem, são o motor do nosso país, ainda estão muito distantes dessa realidade tecnológica.

 

Não digo que a culpa seja somente das empresas, pois também nesse aspecto, muitos fatores dificultam o acesso mais amplo aos recursos disponíveis. São alguns deles:

 

  1. Falta de formação do próprio empreendedor, que pelas razões mais adversas, acaba indo para o empreendedorismo como um mecanismo de sobrevivência, portanto, sem o conhecimento e formação necessários para bem desenvolver a atividade.
  2. Altos custos para implantar boas ferramentas de software, que possam trazer facilidades tanto a gestão quanto ao operacional das organizações.
  3. Falta de capacitação dos funcionários, que da mesma forma, não foram capacitados para o mundo digital.
  4. Cultura retrógrada, onde ainda impera o modelo fordista de gestão, ou seja, a mentalidade da linha de produção, ainda que a empresa trabalhe exclusivamente com o capital intelectual.

 

Diante de tudo isso aqui exposto e frente a uma nova realidade, se faz necessário uma mudança profunda, estrutural, no entanto, necessária e urgente.

 

Sem alarmismo ou previsões catastróficas, essa situação agora vivenciada pode se repetir com cada vez mais frequência, portanto, talvez esse seja o momento ideal de começar a rever conceitos, tanto pessoais quanto profissionais.

 

A adoção de práticas de home office é apenas um item de uma extensa lista de mudanças necessárias, mas vamos falar um pouco sobre alguns benefícios que ela pode trazer, mesmo quando o coronavírus se tornar passado.

 

  1. Diminuição de custos, uma vez que empresas que trabalham com serviços, muitas vezes possuem altos custos com deslocamentos para sanar dúvidas que poderiam ser resolvidas de forma online.
  2. Diminuição do stress dos funcionários, considerando que constantes deslocamentos em viagens costumam trazer uma série de desconfortos e desgastes.
  3. Aumento da produtividade, pois você já calculou quantas horas seus funcionários podem passar no trânsito, simplesmente se deslocando de um lugar para outro? Esse tempo poderia ser mais bem aproveitado, tanto para produzir, quanto para descansar, afinal, ninguém que esteja esgotado consegue produzir bem.
  4. Aumento do bem estar dos funcionários, que passariam a ter uma relação mais amigável com a empresa e, com isso, acabariam valorizando muito mais a relação profissional, que poderia, ainda que indiretamente, influenciar na sua produtividade.

 

Poderíamos passar muito mais tempo falando sobre os benefícios, mas esse texto ficaria muito cansativo e, creio eu, já deu para entender o foco.

 

Toda mudança requer um período necessário de transição, de acomodação e de readaptação. Esse tempo nós não tivemos agora, mas podemos começar a estruturar esse processo.

 

Assim que essa fase passar, porque ela vai, comece a ponderar esses aspectos. Comece a repensar seus processos e métodos e, principalmente, faça contas, pois se tem um argumento que ajuda a convencer qualquer um, é o argumento financeiro.

 

A fase de transição deve ser planejada com cuidado, não de forma a mudar tudo do dia para a noite, mas de forma a promover uma alteração gradativa, sem traumas, promovendo uma reformulação cultural, tanto na sua empresa quanto nos seus clientes.

 

Assim que esse período de quarentena terminar, as pessoas estarão carentes de contato físico e não podemos ignorar esse aspecto. Não tente pegar a onda que começou agora e radicalizar, porque certamente não vai dar certo.

 

Forneça o contato físico, mas também use como argumento a situação recentemente vivida, no caso, a que estamos vivenciando. Construa junto com o seu cliente um ambiente acolhedor, onde ele se sinta bem atendido, mas sem a necessidade do contato presencial em qualquer situação.

 

Comece a produzir reuniões virtuais, tanto com seus clientes quanto com seus colaboradores. Será uma experiência interessante, você vai ver. Uma das primeiras percepções que você poderá ter é a de que as reuniões se tornam mais objetivas. Como não existe o contato físico, as divagações costumam diminuir e as falas se tornam mais objetivas. A pauta para a reunião continua sendo item obrigatório, tanto para a presencial quanto para a virtual.

 

Analise os setores da sua empresa que podem desenvolver home office e, acredite, praticamente todos podem. Comece a implantar essa cultura aos poucos, talvez com um dia por quinzena, depois um dia por semana e, quem sabe, até mais de um dia por semana.

 

Observe a produtividade da sua empresa antes e depois dessas mudanças. Quando falo em observar, não estou falando somente de ficar com o olho grudado no seu funcionário, mas sim, de técnicas e ferramentas que te ajudem a mensurar a produtividade, portanto, não falo em percepção subjetiva, mas sim, de medidas bem objetivas.

 

Aproveite as oportunidades de crise, pois normalmente são nelas que os grandes e autênticos empreendedores se sobressaem e crescem. Não espere o próximo vírus para sair do lugar, pois pode ser tarde.

 

Esse foi o primeiro de uma série de artigos que vamos publicar, ao longo dos próximos dias.

 

No próximo, abordaremos ferramentas e técnicas para home office e, caso queira dar alguma sugestão de tema ou enviar alguma dúvida para que possamos discutir, envie-nos um contato através da página.

 

Até o próximo!

 

Prof. André Belini

Bacharel em Sistemas de Informação. MBA em Gestão Estratégica de Negócios. Especialista em Didática e Metodologia. Especialista na Educação de Jovens e Adultos. Atua na área de TIC há 20 anos. Professor da área de TIC e Gestão em cursos de graduação e pós-graduação. Atua na área de Análise de Sistemas da Confiatta Sistemas e Tecnologia.

 

 

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